sexta-feira, 4 de outubro de 2013

visage

tomo um
ca
fé e rezo
a reza da morte
vejo-a com uma grande bola na mão direita
sorriso escancarado na boca

pés de mesa
quatro pés
cheios de folhas

bizarra sua pose

mas não venha com essa
sei que no fundo no fundo
vejo
-a sombra
com a morte sorrateira

escondida

por trás 
de seus 
ombros

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ab 6

Bêbadas incongruências. Babas de moças. Moscas ao léu.

Não há histórias nessa escrita de merda. Heróis solitários e imaginados surgem como lampejos e desaparecem no nada. 

Abissssssssais 5

Coisas fora do lugar deixaram a mesa com um aspecto grotesco. A cerveja está acabando. O telefone toca. Nem me dou ao trabalho de olhar. As luzes faíscam como faróis de automóveis fantasmas que nos levam pra lugar nenhum.

abiss - 4


Cavalos de fogo  povoam o pesadelo  do cara que está deitado de cara pro alto  galopam enlouquecidos para cima dele  ele estremece e solta um grito de pavor na noite escura. O céu lá fora é um manto negro carregado de profundidades. Não há estrelas nessa noite.

Abis – 3


Ela acorda e diz como todo dia, faça isso, faça aquilo, viro-me para o lado de lá e deixo a preguiça me levar. Daqui a pouco tenho que saltar para a porra da vida que me chama. Ela me empurra para fora de casa. Se manda vagabundo. Vai trabalhar.
Hoje saí e deixei o acaso esculhambar tudo. Foda-se o trabalho. Vou rodar por aí. O asfalto estava quente, dava para sentir o bafo da janela do carro. O som rolava e me provocava uma sensação louca, como se estivesse dentro de um filme. Protagonista. Um zero a 80 km por hora numa free wai. vagando a esmo, desconectado da Grande máquina que move o mundo. Burocracias e desarranjos. Homens escravizados pela repetição mecânica dos fétidos escritórios fedendo a peidos modorrentos dos funcionários públicos.

O carro desliza. Auto pistas de um instante cheio de atalhos e desvios. Rotas do acaso. 

abissais – 2


o ar raro e feito rarefeito artefato. As horas passando lânguidas.
São lâminas fatiando nossos corpos. 

sábado, 13 de julho de 2013

abissais - 1

tem pulga nessa orelha tem fogo nesse rabo tem vaidade nessa fogueira tem melodia nessa gagueira tem claridade na soleira tem rima tem mimo tem escatologia e anarquia pimenta na poesia que é pra dar azia mesmo que o sol não venha não fique sem sal mexe no tempero reconte essa piada e dance dance muito no salão que os hipócritas estão chegando quando saem é pela outra porta que a festa só acaba quando a gente for embora que as notícias são sensacionais fabricantes de mentiras é tudo mentira mãe ó mai gódi ó meu santo pai ó meu terreiro pequeno pedaço de céu ó alma despenada feito galinha num fundo de quintal ó transproscrito filho da danadeza que tudo paira na incerteza de se ser isso ou aquilo quando não isso e aquilo só um quilo pra não dar desinteria e o povo cagando e andando por aí às cegas com os intestinos se dobrando como joelhos numa cáustica manhã onde os alcólitos passeiam zumbizando pelas praças e as pobres mães redeiras escravas das formas belas cores de meu deus dolores filha de joão e josé com dona filomena de mãos dadas diante do altar da morte pura sorte viver puro acaso nascer pura lógica morrer pura impureza nas sombras sombrias de vossos infernos cravados na carne como febre de malária entre delírios e nóias descendo aos infernos sucumbindo em quedas invejosas inconformadas indo e voltando como pião em círculos ziguezagueando por aí

insano

gole fatal
da cerveja morna
rodopia como tufão
rasga o esôfago
desce pelo ralo
merda mole
tanto bate
até que fura

manha

ela peçonhenta
se cobre
e remexe sob o lençol

mil e um cigarros

aos tragos
e escarros
caçoo da sua lógica
viver e morrer
é a mesma coisa

canção difusa

subjazz
na noite infecunda

revoga o que mal
ou bem
dito

pó de morte
poeira

a carne travada
em rija penumbra
músculos de pedra

ressoa
ecoando notas musicais
em brevíssimos
intervalos

dissonante sonambulismo
de olhos bem abertos

não se preocupe

a maldita vem a qualquer hora
sorrateira
matreira

em queda livre