segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

pod(r)eres

descendo a avenida miguel sutil dizia para minha filha agora poucos minutos atrás o poder é contra revolucionário por princípio então devemos quebrar as hierarquias que definem o poder de mando de escolhas de direções então se estamos juntos a um movimento social só devemos estar com ele até o momento em que desejem hegemonizar sua forças e mandar a mão de ferro e desmandar a desmesurar perder as medidas então quando chega-se a esse ponto é hora de partir quebrar vazar e buscar outra turma aqueles que ainda não estão na zona de poder que estão no horizonte do poder. que deve ser sempre o próprio horizonte. esse é o nosso anti princípio anti.

ferreira, meu caro, você está sendo muito sutil.

porra nenhuma, responde o velho ferro, sutil é o Miguel.

risos. risos.

fecha cortina.

é fogo! (série: manhãs caprichosas.)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

afazia

um hiato entre uma publicação e outra.
tempo, tempo. matéria amorfa, insaciável. sinto-me moído, vítima de mastigação.

estranha sensação de inutilidade da matéria gente.
da palavra matéria. da materialidade das coisas.

da inutilidade da arte, nem falo.
penso.
inutilmente, penso.

logo desisto.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

canto escuro

estou nesse lugar incompreendido.
no centro da rinha.
frágil e sem saber com quem lutar.
os nervos trêmulos de suprema covardia.
escondendo a própria sombra.
cego de claridades.
finjo existências afazeres tarefas intermitentes para evitar o confronto com minha feiúra.
quem quer saber?
nada é tão importante
quanto o vazio
o vaso se quebrou
encanto voou
desgaiolado treslocado andando ao lado dos passos esparsos e tímidos da sombra arredia.
vadia. penso.
insisto. vadia.
desisto.
logo ali tem um beco escuro.
vou deitar nas sombras.
não quero mais saber de sonhar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

sujeito oculto

um tiro seco no ar.
arfar.arfa arfa arfa.
ar não entra,
também sai não.
ar de respirações perdidas.
como reencontrar?
recombinar encontros
perdidos.
como recompor
canções para sem
pre escondidas
meio a escombros.

não sei se dou de
ombros.
sinto dores vazias
de compreensões.

maldita pressão
explode diarréia
coração
vômito.

atônito
fecho o livro.

durmo nas para
lelas.

turista acidental

afinal
aqui
é
quito
ou
quioto!?

antonio sodré (poeta transmutacional)

pequenina ode aos automóveis

na selva de pedra
os tigres são de aço

(antonio sodré - el poeta de la transmutación)

sem título

saiu e se foi...
atrás do boi...

(antonio sodré - o poeta da transmutação)