domingo, 29 de junho de 2008

o banquete

convidamos os fantasmas e eles vieram
todos
para nosso espanto.

florbela espanca e silvia plath
nos domínios de nossa cama.

eus e annas.

baús de poetas mortos
revirando asas
escolhendo o modelo mais adequado
para o seu vôo.

elas riem, choram, gozam
em minhas propriedades
supremos gozos
divinizo
bebo de sua alma
convivo com seus perfumes
e não peço perdão pela sua morte. segundo me disseram
os poetas já nascem mortos.

não sinto saudade
não a dor
não sinto
amor

só o gosto da flor murcha
que pousou no vaso
sem lágrimas
da sala cheia de fantasmas.

Cuiabá (MT) · 20/6/2006 15:12

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